
26.3.07
5.3.07
26.2.07
A guerra da Besta e as bestialidades da guerra

O caso voltou à tona neste mês de fevereiro, porque o soldado Paul Cortez, que agora enfrentou julgamento, revelou em seus depoimentos, com detalhes, como os três planejaram o crime. “Sabíamos que só havia um homem na casa, e que seria um alvo fácil”.
Segundo Cortez, assim que invadiram a casa das vítimas, o soldado Green levou o pai, a mãe e a irmãzinha da garota para um quarto e os executou a tiros. "Durante o tempo em que eu e Barker ficamos estuprando Abeer, ouvi cinco ou seis tiros vindos do quarto. Green saiu do quarto e disse que tinha matado todos eles, que todos estavam mortos. Green então se colocou entre as pernas de Abeer para estuprá-la. Ela ficou se contorcendo, tentando manter as pernas fechadas e dizendo coisas em árabe".
Toda a ação durou cerca de cinco minutos. Então executaram também a menina e atearam fogo em seu corpo, na tentativa de esconder o estupro.
O soldado Green, líder da ação, foi condenado no final do ano passado a 90 anos de detenção num presídio militar. O soldado Barker foi exonerado do exército e aguarda julgamento numa prisão civil. Já o soldado Paul Cortez foi condenado a 100 anos, mas, pelas leis norte-americanos e por um acordo feito no tribunal, pode estar em liberdade condicional dentro de 10 anos.
Contudo, nenhuma condenação apagará mais este episódio bestial. A guerra da Besta norte-americana é, segundo eles dizem, para estabelecer a justiça e democracia no Iraque. Logo vemos que tipo de justiça e democracia eles querem estabelecer. Aquela baseada na violência, no genocídio, nos assassinatos cruéis. Na violência sexual, moral e psicológica. Na violência cultural e econômica. No roubou escancarado das riquezas do Iraque. No extermínio dos obstáculos à dominação mundial do representante maior do capitalismo atual.
Mas a Besta está cambaleante, encurralada, e a outra besta que a preside, quer agora enviar mais soldados (ou seria mais estupradores?), mais armamento, mais dinheiro, para prosseguir com sua guerra insana. Os fatos têm provado, no entanto, que quanto mais eles investem na guerra, mais a guerra investe contra eles.
Rafael Freire
25.2.07
Harry, o nazista

Esse ato é uma prova não apenas de ignorância política como também um profundo desrespeito pelo povo da Inglaterra. Durante a II Guerra Mundial, a Inglaterra foi brutalmente bombardeada por Hitler que só não a invadiu porque “ele não se atreveria a concentrar suas forças na conquista da Inglaterra, enquanto no palco continuasse presente o Exército Vermelho”, nas palavras do historiador inglês Liddel Hart. Durante o conflito 300 mil ingleses morreram.
Humberto Lima
15.2.07
O Labirinto do Fauno – Retrato da Violência Fascista na Espanha de 1944

Muitos sítios sobre cinema classificaram O Labirinto do Fauno como um filme de horror, suspense ou fantasia. O filme é surreal sim mas, aprofundando um pouco mais o olhar, a temática central de O Labirinto trata, de maneira sutilmente poética, de uma das mais violentas e sanguinárias ditaduras fascistas que assolaram o mundo no século XX: a ditadura de Franco, na Espanha. O golpe da aliança burguesa Falange sobre o grupo socialista Frente Popular, vencedor das eleições em 1936, deu início à Guerra Civil Espanhola, que deixou um saldo de mais de 1 milhão de mortos e culminou na tomada do poder pelo general Francisco Franco, em 1939.
Ambientado nas montanhas de Navarra, na Espanha de 1944, o filme usa a fantasia para evidenciar a fragilidade das reações humanas em situações extremas, a realidade “criada” versus a realidade “real”: o mundo mágico da menina Ofelia (lvana Barquero) – onde aparecem fadas, o Fauno e até um grotesco ser que vê através dos olhos que tem nas mãos (Doug Jones, também intérprete do Fauno) – e o mundo real onde um capitão fascista e seu regimento tentam eliminar um dos focos da resistência camponesa.
Ofelia é uma doce menina que cria um mundo imaginário para fugir das mazelas da realidade. Seu mundo é cercado de uma “fantasia simbólica”, em que um fauno promete transformá-la na princesa de seu reino subterrâneo se ela for capaz de realizar três tarefas, testando-a ao ponto de colocar-lhe em risco a vida. A menina, de uma tristeza singular – cumprimentos à pequena atriz –, é o perfeito reflexo da inocência, das tantas inocências roubadas pelos fascistas e seus ideais de poder. Outro destaque é Mercedes (Maribel Verdú), cozinheira do capitão fascista Vidal (Sergi López) e amiga de Ofelia. Mercedes é informante dos guerrilheiros e consegue dar o exato tom da dramaticidade de O Labirinto: é a protagonista da cena mais marcante do filme em que ela, inesperadamente, reage à iminente tortura que o Capitão Vidal lhe prepara – num momento absolutamente empolgante que arranca gritos eufóricos da platéia. Essa cena, aliás, faz par com outra de igual importância que acontece no mundo imaginário de Ofelia.
As duas cenas conseguem traduzir com méritos o argumento do filme. A tortura de Mercedes é confrontada com o acontecimento mais horripilante do mundo subterrâneo – o jantar cujo anfitrião é o “homem pálido”, aquele dos olhos nas mãos –, responsável por externar em Ofelia toda a coragem e sagacidade necessárias para que conseguisse se livrar do terrível monstro. Mercedes, à iminência da tortura, teve que encontrar em si, tal como Ofelia, as mesmas coragem e sagacidade que a livrariam do capitão fascista que estava por torturá-la – este não menos monstro que aquele. Nesse momento, o espectador se questiona sobre qual seria a “realidade” mais terrível, seguramente concluindo, como Ofelia, que o mundo real pode ser bem pior.
Visualmente extraordinário, o filme demonstra beleza e poesia em cada minúcia, nas cenas, nos símbolos ou mesmo nas criaturas do mundo-fantasia. Ponto para o diretor e roteirista Guillermo del Toro, que com um orçamento de apenas US$ 5 milhões (irrisório frente aos padrões americanos) conseguiu produzir um filme incrivelmente original e envolvente. Ponto também para a encantadora fotografia de Guillermo Navarro e as belíssimas criações de figurino e maquiagem de Lala Huete e Eugenio Caballero, incluindo aí a estética do “homem pálido”, um dos seres mais criativamente bizarros já vistos no cinema. Mas o ápice é mesmo o roteiro de Del Toro, que conta a história com emocionante brilhantismo e deixa ainda, de quebra, duas ou três frases emblemáticas, de sonoridade revolucionária. Numa delas, o médico do regimento – também informante da guerrilha (Álex Angulo) –, questionado pelo Capitão Vidal sobre não ter obedecido à sua ordem de manter vivo um guerrilheiro que fora cruelmente torturado (o médico, a pedido do rapaz, aplicara-lhe uma injeção letal), desafia-o com os dizeres: “Obedecer por obedecer, sem pensar, somente o senhor o faz, Capitão!”.
Dos filmes lançados no início de 2007, O Labirinto do Fauno foi, sem dúvida, a salvação dos cinéfilos, insinuando-se já como um dos melhores filmes do ano. Em Recife infelizmente não entrou em cartaz nos grandes cinemas, tendo sido exibido somente no Cinema da Fundação – restringindo assim o acesso à obra. Uma pena, pois a bela criação de Del Toro é realmente imperdível.
Título Original: El Laberinto del Fauno
Duração: 112 minutos
Lançamento (México / Espanha / EUA): 2006
Sítio Oficial: www.panslabyrinth.com
Direção e roteiro: Guillermo del Toro
Pricylla Girão
(MSN: pricyllagirao@hotmail.com )
12.1.07
Estamos com Chávez e com o povo da Venezuela!

Dizem que Chávez é contra a liberdade de expressão. Mas não falam que as empresas de rádio e TV privadas da Venezuela não têm moral para falar de liberdade nem de democracia pois deram total e irrestrito apoio ao golpe de Estado organizado pelos Estados Unidos em 2002. Dizem que Chávez é um ditador, mas não dizem que ele venceu todas as eleições que disputou e que a Constituição da Venezuela é mais democrática de todas, pois foi aprovada em plebiscito com o voto de todos os cidadãos. Acusam Chávez de querer se manter indefinidamente no poder quando na verdade uma das marcas de seu governo é justamente retirar do poder as máfias que há décadas lucram milhões com a corrupção do dinheiro público. Anunciam o “socialismo do século XXI” como sendo algo esdrúxulo e fantasioso. Entretanto, vivemos no século XXI e esdrúxulo seria se Chávez quisesse implantar o socialismo em um século que já acabou.
A verdade é que essa imprensa conservadora e a burguesia mundial fizeram um grande esforço para acreditar numa mentira que eles mesmo inventaram: de que o socialismo havia acabado. Achavam que com o exemplo do fim da União Soviética, com o controle dos grandes meios de comunicação e com eleições subordinadas ao poder financeiro, estavam garantidos. Erraram! Para quem tem hoje entre 15 e 25 anos o fim da URSS não teve o mesmo impacto que para os velhos pseudo-comunistas que arriaram suas bandeiras no começo da década de 90 e o poder financeiro não pode esconder indefinidamente a injustiça e a exploração que o capitalismo faz sentir na pele todos os dias.
Chávez está certo. Organiza a economia para que suas riquezas sejam usadas para o bem do povo. Investe maciçamente em educação e saúde. Chama o povo para participar ativa e conscientemente da vida política do país. Um aula de democracia para qualquer tecnocrata com nojo do povo que defende uma democracia de fachada nos moldes dos EUA, onde dois partidos quase iguais se revezam no poder e as eleições são inacessíveis para um cidadão comum.
Se Chávez e o povo venezuelano vão conseguir seus objetivos, ainda não podemos afirmar. Os desafios são muitos e a pressão será cada vez maior. Os EUA falam já abertamente que é preciso “rediscutir o conceito de soberania”. Mas são inegáveis os avanços que foram conseguidos nessa última década. Neoliberalismo, privatizações e outras coisas - que fizeram o lucro dos grandes monopólios internacionais e a miséria dos trabalhadores - são hoje rechaçados pelo povo em todos os países, inclusive o Brasil. Ventos novos e livres começam a soprar em todos os cantos do mundo, e hoje, principalmente na Venezuela.
Recentemente, foi reaberto em Moscou, após dois meses de reformas, o mausoléu onde está o corpo de Lênin. Algumas pessoas que visitaram o local repararam que havia uma coisa diferente: disseram que Lênin parecia estar sorrindo...
29.12.06
O Natal para além de Cristo

O Natal é, em essência, uma festa cristã. Nele se celebra o nascimento de Jesus Cristo, o Deus-menino, salvador dos homens na Terra. Porém, como na História nem tudo é preciso, residem inúmeros questionamentos acerca da data de 25 de dezembro. Alguns falam em outros dias, de outros meses, de outros anos. Diz-se, inclusive, que a trajetória de José e Maria em fuga da crueldade de Herodes, que buscava a criança redentora, é, na verdade, a representação da fuga do profeta Moisés, também quando de seu nascimento. Jesus nasceu judeu e virou Emanuel: Deus entre nós. Quando chegou a Nazaré, tornou-se o Nazareno, onde pregou por toda a Galiléia, criando o cristianismo.
Nem todos os seres humanos são cristãos. O cristianismo, apesar de ser a religião que possui o maior número de seguidores (cerca de 2,1 bilhões), corresponde a menos de um terço da atual população mundial, estimada em quase 7 bilhões de pessoas. No entanto, é comum ver em reportagens e declarações as mais diversas a generalização do cristianismo como elemento cultural de toda a humanidade. Sendo assim, é preciso ter cuidado ao tratar do assunto, mesmo que se tome como referência o Brasil, país eminentemente cristão e considerado o maior país católico do mundo.
A Constituição Federal de 1988 garante que o Estado brasileiro é laico, ou seja, não advoga nenhuma religião. Na prática, porém, a coisa é bem diferente, dado o enraizado do cristianismo na cultura nacional. Só para ficar num exemplo bem simples, consta no artigo 87 do Regimento Interno da Câmara Municipal de João Pessoa que, ao início de cada sessão, o vereador que a preside “convidará um vereador para, da Tribuna, fazer leitura do texto Bíblico, devendo a Bíblia Sagrada ficar em cima da mesa durante todo o tempo da sessão”.
Religião e Estado têm sido usados, ao longo das diversas formações sociais já construídas, como instrumentos de dominação de povos e classes. Mas pode servir ao seu contrário também, com o propósito de libertação, como mostra Engels, no fechamento de sua introdução para “As lutas de classes na França de 1848 a 1850”, de Marx, reproduzido logo abaixo.
Cabe, portanto, independente de concepção filosófico-religiosa, valer-se do espírito natalino original de irmandade e renovação para refletir e transformar o mundo em que vivemos. Transformar nossas tão profundas diferenças políticas, econômicas, tecnológicas e sociais.
Feliz ano novo, para quem do novo precisa!
Friedrich Engels: fechamento de sua introdução para “As lutas de classes na França de 1848 a 1850”, de Karl Marx

23.12.06
Mais dois sem-terra assassinados pelos latifundiários
No dia 17 de dezembro, o jovem Andreílson Santos Silva, de apenas 17 anos, foi assassinado a facadas em uma emboscada na cidade de Garanhuns, no interior de Pernambuco. Andreílson era integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O crime aconteceu na Fazenda Paulista, de 1.360 hectares, cujo proprietário, Edvaldo Rodrigues Paixão, é acusado de forjar e corromper técnicos para falsificar certificados de produtividade da fazenda. Diante das denúncias, o Incra prometeu fazer uma nova avaliação, o que até agora não ocorreu. Desde 2004, essa fazenda já foi ocupada duas vezes, sendo que em todas os despejos foram violentos. No último deles, o Incra firmou um acordo para que os trabalhadores pudessem retornar para colher a produção que haviam plantado no local, mas o proprietário destruiu a lavoura. No mês passado, o Ministério Público determinou que o latifundiário pagasse uma indenização pela destruição. Desde então, as ameaças aos trabalhadores, que estão acampados na BR-423, têm sido constantes. No dia 20 de dezembro, três dias após o assassinato de Andreílson, outro trabalhador rural foi assassinado pelos latifundiários. O trabalhador José Gomes, de 55 anos, foi morto a tiros no Engenho Natal, no município de Aliança, também no interior de Pernambuco. O Engenho Natal é um dos 22 engenhos que pertenciam à Usina Aliança que faliu em 1996. Ao todo são 7.300 hectares de terra. A dívida da Usina em direitos trabalhistas é de mais de R$ 250 milhões, e os trabalhadores reivindicam que a terra seja desapropriada para o pagamento da dívida. O Engenho Natal é um dos cinco que já foram desapropriados. Mesmo assim, segundo testemunhas, quatro homens encapuzados, e fortemente armados, invadiram o Engenho, às 21h, à procura das lideranças da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os assassinos atearam fogo em uma casa e balearam José Gomes em sua residência.
Infelizmente, os assassinatos de Andreílson Santos e José Gomes estão longe de serem casos isolados. De 2000 a 2005, 223 trabalhadores foram assassinados na luta pela terra no Brasil. Entretanto, mesmo submetidos a essa constante e mortal perseguição, os sem-terra são apresentados pela grande mídia como vândalos, baderneiros e, o cúmulo da mentira, como os responsáveis pela violência no campo. Enquanto isso, os latifundiários formam verdadeiros exércitos particulares e grupos de extermínio para intimidar qualquer trabalhador que organize a luta para que seus direitos sejam garantidos. E não é só isso. Apenas em 2005, foram libertados pelo Ministério do Trabalho nada menos de 4.133 pessoas que viviam em condições de escravidão em grandes fazendas do interior do Brasil. E esse número só não é maior porque foram feitas apenas 81 (menos de sete por mês) operações em todo o território nacional. O próprio governo federal admite a existência de pelo menos 25 mil trabalhadores escravizados no Brasil.
O que acontece é que a distribuição de terras no em nosso país é uma das mais injustas do mundo, e isso não tem a ver com a competência ou o esforço dos proprietários de terra no Brasil. A grande maioria dessas terras em disputa foram conseguidas pela grilagem, ou mesmo pela doação pura e simples aos simpatizantes dos governos autoritários brasileiros, como na Ditadura Militar, por exemplo. Sem o movimento dos sem-terra, o que existe no campo não é paz, mas sim medo, ignorância e submissão. São cidadãos brasileiros explorados há séculos que finalmente se levantam, se enchem de auto-estima e dignidade, vão à luta para defender seus direitos... e devem contar com nosso apoio.
Humberto Lima
*Para ver reportagem sobre o assassinato de Andreílson, acesse:
www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u87873.shtml
*Para ver reportagem sobre o assassinato de José Gomes, acesse:
www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u88009.shtml
*Para ver a relação das pessoas assassinadas na luta pela terra, acesse:
www.mst.org.br/mst/listagem.php?sc=9&p=3
*Para ver reportagem sobre o trabalho escravo no Brasil, acesse:
17.12.06
Maioria dos russos quer a volta da União Soviética

Em pesquisa realizada neste mês pelo Instituto Levada de Moscou, 61% dos russos querem a volta da União Soviética. Na verdade, esse desejo é muito mais que um sentimento saudosista, pois outra pesquisa da WPO revela que nada menos 85% dos russos são favoráveis a reestatização das várias das empresas privatizadas, principalmente do setor energético/petrolífero.
Passados 15 anos do golpe que derrubou a URSS, a população percebe claramente a drástica queda em seu padrão de vida e sofre na pele as conseqüências do regresso ao capitalismo. As promessas de mais desenvolvimento e liberdade feitas pelos defensores do capitalismo hoje estão completamente desmoralizadas. Em 2002, mais de um terço (36,2%) da população economicamente ativa estava desempregada, e a Rússia era, ao lado dos EUA, o país com o maior número de presidiários (7,3 por mil habitantes). Apesar de nos faltar uma pesquisa mais recente é muito pouco provável que tenha havido uma mudança significativa nesses números.
De uma nação soberana e admirada por todo o mundo, a Rússia tornou-se um país governado por máfias que se apoderaram primeiro do Partido Comunista e depois de todo o Estado, e o transformaram em uma máquina de enriquecimento pessoal.
Diante de tudo isso, a aposentada russa, Natalia Kokoreva, 60 anos, resume bem o que pensam os russos: “Não temos nada o que comemorar”.
30.11.06
No dos outros...

Agnaldo, entre outras coisas, é conhecido por defender as ações fascistas da polícia de São Paulo e de outros estados. Diz que a polícia agiu "corretamente no exercício do seu dever" nos Massacres de Eldorado dos Carajás e do Carandiru. Adora falar mal dos movimentos sociais e não perde a chance de pregar que a criminalidade só pode ser resolvida com mais violência e repressão. Sobre a censura durante a Ditadura Militar ele tem a seguinte opinião: “No Brasil não houve ditadura. Todas as pessoas que respeitaram o poder constituído dos militares não sofreram nenhum tipo de restrição. Alguém prendeu Roberto Carlos? Se faz música esculachando tem que vetar e colocar para fora mesmo.” (Revista AOL. Março de 2005)
Agora, irritadíssimo com a prisão do filho, Agnaldo diz: "Deram uma gravata no moleque, jogaram o moleque no chão, colocaram os pés no pescoço dele e, pior, rasgaram a camisa para parecer que tinham sido agredido ... eles também foram truculentos comigo, que sou vereador".
É Agnaldo... como diz o ditado: pimenta no dos outros é refresco.
Para ver a sua entrevista à Revista AOL, acesse: www.aol.com.br/revista/materias/2005/0048.adp
25.11.06
Sebastião Salgado: luz e sombra num mundo de contrastes

O princípio elementar da fotografia é o registro da luz numa superfície. Contudo, o princípio elementar de uma grande foto não está em “saber clicar”, como ensina o próprio Salgado: “A fotografia não é feita pelo fotógrafo. A foto sai melhor ou pior de acordo com a relação entre o fotógrafo e a pessoa que fotografa”.
E é assim, com um profundo senso de humanismo, calcado por um compreensão marxista da realidade, aliado a muita simplicidade, que Sebastião Salgado consegue se diferenciar dos demais fotógrafos, fugindo da pretensa impessoalidade de certas correntes do (foto)jornalismo: “Fotografa-se com toda carga ideológica”, diz ele.
Nascido em 1944, na cidade mineira de Aymorés, Sebastião Salgado é economista com doutorado pela Universidade de Paris, tendo atuado na profissão só até os trinta nos, quando, então, decidiu se dedicar totalmente à fotografia.
Fotógrafo reconhecido internacionalmente, recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo. Trabalhou para as agências Sygma entre 1974 e 1975, para a agência Gamma de 1975 a 1979, e depois foi eleito membro da Magnum Photos, uma cooperativa internacional de fotógrafos, onde permaneceu de 1979 a 1994. Neste mesmo ano, fundou sua própria agência, a Amazonas Image.
Como fotojornalista, cobriu acontecimentos como as guerras em Angola e no Saara espanhol, o seqüestro de israelitas em Entebbe e o atentado contra o presidente norte-americano Ronald Reagan. Paralelamente passou a se dedicar a projetos de documentários mais elaborados e pessoais, que somam hoje mais de dez publicações. Entre elas, pode-se destacar Outras Américas (1986), um estudo das diferentes culturas da população rural e da resistência cultural dos índios e de seus descendentes no México e no Brasil, realizado durante oito anos. Sahel: O Homem em Pânico (1986), um documento sobre a dignidade e a perseverança de pessoas nas mais extremas condições de existência, em que trabalhou 15 meses com o grupo francês Médicos Sem Fronteiras, durante a seca na região do Sahel, no Norte da África. Trabalhadores (1993), um documentário fotográfico sobre o fim do trabalho manual em grande escala, fotografado em 26 países e resultado de sete anos de registros. Terra: Luta dos Sem-Terra (1997), sobre a luta pela terra no Brasil, centrado nos acampamentos e assentamentos do MST. E Êxodos e Crianças (2000), que retrata a vida de retirantes, refugiados e migrantes de 41 países.
No texto de apresentação deste último trabalho Salgado escreveu: “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constróem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas”.
Gênesis é, na verdade, muito mais que uma peça artística. É um projeto educacional que visa conscientizar crianças, jovens e adultos para a preservação ambiental. A primeira fase do projeto (prevista para durar oito anos) foi lançada em abril deste ano para cerca de 100 escolas de Vitória, capital do Espírito Santo e, neste último mês de novembro, foi lançada internacionalmente com uma exposição itinerante.
Com as fotos de lugares raros e animais exóticos de regiões como a Patagônia, as Ilhas Galápagos, a Antártida e as selvas africanas, Sebastião Salgado pretende levar pelo mundo a mensagem viva dos seres da Terra como alerta para que a salvemos.
*Página oficial na internet: www.sebastiaosalgado.com.br
35 milhões de norte-americanos passam fome

Aumentou também a desigualdade social nos EUA. O salário mínimo não sobe desde 1996 e a renda dos mais pobres subiu apenas 3% entre 1989 e 2006, enquanto que a dos mais ricos subiu 42% e a dos milionários (1% da população) subiu 75% nesse mesmo período.
A íntegra da pesquisa sobre a fome nos EUA pode ser encontrada no site www.ers.usda.gov/publications/err29
19.11.06
Friedman já estava morto!
No dia 16 de novembro, morreu o economista norte-americano Milton Friedman. A imprensa capitalista brasileira e mundial têm reservado longas reportagens em elogio à obra de Friedman. De fato, para os grandes monopólios internacionais as idéias de Friedman foram muito lucrativas. Para o restante da população, no entanto, elas trouxeram mais desemprego e desigualdade social. Após a crise que se seguiu à quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, e com o vigoroso crescimento econômico e social da União Soviética, as propostas dos liberais foram rejeitadas em todos os países do mundo. No bloco socialista seguia-se com sucesso o Planejamento Econômico Estatal, enquanto que no bloco capitalista os liberais eram substituídos pelos “keynesianos”, seguidores do economista inglês Jonh M. Keynes, que entre outras coisas reconhecia que as leis de mercado sozinhas eram incapazes de levar a economia ao equilíbrio, e defendia uma maior participação do Estado na economia.
Na década de 1970, com o revisionismo na URSS e a nova crise no bloco capitalista com o choque do petróleo, os liberais voltaram a ganhar terreno, agora com o nome de neoliberais. Friedman era o principal líder desse processo e por isso é conhecido como o “pai do neoliberalismo”. O receituário, no entanto, era praticamente o mesmo: recessão, juros altos, corte de gastos, abertura comercial, superávit primário, privatizações e maior controle da economia pelas grandes empresas privadas.
No entanto, o resultado dessas medidas foi muito diferente daquele propagandeado por Friedman e outros neoliberais. Aumentaram as desigualdades sociais e nacionais; aumentou o desemprego, inclusive na Europa; direitos trabalhistas e sociais históricos foram retirados; aumentou o poder das empresas multinacionais e diminuiu o dos sindicatos.
Esses resultados tornaram o neoliberalismo indefensável em quase todos os cantos do mundo. Isso é comprovado com as vitórias de candidatos mais à esquerda na Espanha e na Itália, pela vitória do NÃO na França e na Holanda no plebiscito sobre uma maior abertura comercial européia, e pela eleição de vários candidatos de esquerda na América Latina. Até no Brasil, o partido das privatizações e das reformas neoliberais, o PSDB, teve que esconder suas posições na última eleição presidencial e, mesmo assim, foi derrotado.
15.11.06
Igreja de São Francisco (João Pessoa - PB)
Terras
Ditadura orgânica
Que açoita a terra
E reduz os homens
A braços e facões,
Suor e fuligem
Debaixo do sol
Longínquas serras,
Frutos do chão,
Encerrando o horizonte
Da nossa liberdade de olhar
Ah, estas terras!
Natureza moldada a muito trabalho,
Viva imagem do passado
Embuste da modernidade
Que perdeu o tempo de colheita
Dia de Circo
Eu sabia que era um palhaço, claro, mas nunca tinha visto um assim de perto. Ele parecia uma pessoa normal, mas não era. E o problema era exatamente esse. Era assim meio homem, meio monstro. E eu acho que é por isso que as crianças têm tanto medo dos palhaços.
Aquela figura me impressionou muito. Me pôs medo mesmo. Tanto que nem pude pedir a mamãe uma explicação. E fiquei com aquilo guardado só para mim.
Lá dentro, vi o leão, mas o leão eu via todo dia no desenho da TV. Vi o elefante, mas o elefante eu também já conhecia dos filmes. Vi a bailarina, mas a bailarina, minha vizinha, ia quase todo dia para a aula de balé. Vi o mágico, mas o mágico tinha ido há poucos dias na minha escola. Vi o malabarista, mas aquilo que ele faz deve ser tão fácil que até meninos da minha idade fazem nos sinais das ruas. Eu esperava ansioso mesmo era pelo palhaço.
Depois de muita demora, finalmente ele veio. De primeira, não me pareceu menos horroroso. E eu olhava para as outras crianças, e muitas delas também pareciam assustadas. Mas logo eu botei para rir. Eu e as outras crianças. E também mamãe e as outras mães, e os pais presentes. No fim, todos batemos muitas palmas.
Saí tenso da lona quando acabou o espetáculo. Era a minha vontade de rever o palhaço. Mamãe já me puxava para ir embora, mas eu pedi que demorasse um pouquinho. Quando ela já não agüentava mais, ele apareceu: o palhaço. Andando torto como no picadeiro. Aí fui eu que puxei mamãe. Andamos depressa atrás dele e o alcançamos. Eu já não tinha mais medo algum. Ele de costas para nós, fui e puxei pelas suas calças. Dei-lhe um susto enorme, ou pelo menos fingiu que teve susto. Então disparei a pergunta que eu tinha guardado:
― Qual é a sua idade?
E ele, surpreso, respondeu com carinho:
― Meu filho, o palhaço não tem idade. Eu vivo enquanto as pessoas puderem rir.
― Então é por isso que você é tão velho. Porque as pessoas riem muito de você.
― Acho que sim. Esse é o meu trabalho.
― Ah, entendi tudo agora. – e virando-me para minha mãe – Olha mamãe, ele é mais normal do que eu pensava. Ele é como você e o papai. Precisa trabalhar para poder sobreviver.
15 de novembro de 2006
13.11.06
Sobre a propaganda do TSE nas eleições 2006

O primeiro, na minha opinião, foi quando escolheu o péssimo slogan: “agora, você é o patrão”. Ora, quem disse que eu quero ser o patrão? Quem disse que ser patrão é bom? Quem disse que os patrões sabem escolher melhor? Pelo contrário, para a grande maioria dos trabalhadores assalariados brasileiros, patrão é aquele que explora, que não se importa com o bem-estar dos trabalhadores, mas apenas no lucro da empresa. A própria Justiça brasileira, ao garantir que na Justiça do Trabalho os patrões e os empregados sejam representados separadamente, reconhece que o patrão tem interesses diferentes dos interesses dos trabalhadores. No fundo, esse slogan carrega uma forte carga ideológica de classe, que acaba por esconder o conflito entre patrões e trabalhadores.
O segundo erro é quando o TSE trata das formas com que se deve cobrar dos candidatos eleitos o cumprimento de suas propostas. Após falar da importância da pressão social, o que de fato é muito importante, o TSE diz como essa pressão deve ser feita. Para o TSE, a maneira mais correta de fiscalizar e participar dos mandatos, e, por tabela, da vida política do país, é... através de cartas e e-mails!!! Depois, exibe o depoimento de cidadãos que dizem ir à Assembléia Legislativa e à Câmara dos Vereadores, etc, etc.
Mas, será que esse tipo de cobrança tem mesmo resultado? Quando na história do Brasil alguma importante mobilização social foi feita através de cartas? Mais ainda: o que essas pessoas que vão às assembléias fazem lá? Quantas pessoas fazem isso? Será que ao menos são atendidas???
Acho que com essas perguntas fica claro que, nesse ponto, a propaganda do TSE tem apenas a intenção de ser politicamente correta, mas está longe de indicar as verdadeiras maneiras pelas quais o povo pode, e deve, participar da vida política do Brasil. Na linguagem de Paulo Freire, acho que a propaganda do TSE não passa sequer da consciência ingênua, quando na verdade o que se deve estimular é o surgimento da consciência organizativa. Em outras palavras, só a luta organizada é capaz de influir politicamente. Se alguém pretende participar da vida política do país deve organizar-se em alguma entidade que o represente, seja a associação de moradores de seu bairro, seu sindicato, seu diretório acadêmico e, principalmente, organizar-se em um partido político. Sem a presença e a ação desses agentes sociais coletivos as demandas populares continuarão a ser olimpicamente ignoradas pelos políticos eleitos, que seguirão legislando em causa própria.
6.11.06
Não assistam a "Efeito Borboleta 2"!









